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A rua toma conta do museu
18/06/2008

Há anos colorindo as ruas porto-alegrenses, a arte urbana finalmente está conquistando reconhecimento. A cidade vai abrigar a primeira grande exposição do gênero em todo o Brasil, um dos países que exporta mais talentos para o exterior. A partir da próxima terça-feira (24/06) até o final de setembro, a TRANSFER – Cultura Urbana. Arte Contemporânea. Transferência. Transformações ocupa o Santander Cultural (Rua Sete de Setembro, 1028) com trabalhos de 100 artistas.

“Têm pessoas ligadas ao hip hop, ao punk, ao rock independente e ao skate, mas o que a gente está buscando é apresentar a arte não como expressão de um movimento, e sim como a expressão individual de cada artista”, explica o curador e coordenador da exposição, Lucas Ribeiro. Com 29 anos, Lucas é jornalista, skatista e sócio da galeria Adesivo, em Porto Alegre. Atualmente também edita a revista Vista Skateboard Art.

Serão 90 obras de acervos privados nacionais e do exterior, além de 11 trabalhos encomendados especialmente para a exposição. Uma estrutura montada dentro do museu vai ser o palco para performances de skatistas convidados. Além disso, estão programadas várias atividades paralelas que trarão para a capital nomes como Nunca, que acaba de grafitar a fachada da Tate Modern, em Londres, e Herbert Baglione, paulista que também vem se destacando no exterior. A dupla Os Gêmeos – maiores expoentes do grafite brasileiro – não conseguiu encaixar a mostra na sua agenda, mas o trabalho dos artistas poderá ser visto no núcleo chamado Intervencionistas, que traz registros de intervenções urbanas feitas em várias cidades brasileiras – muitas hoje já apagadas.

A exposição estará dividida em mais três eixos. Mauditos reúne a produção brasileira dos anos 80, publicada em revistas independentes e fanzines, onde o desenho se volta para o personagem. São nomes que há duas décadas circulavam no underground, tachados de ilustradores, e hoje transitam nas galerias de arte. O núcleo Street Fine Art traz artistas com raízes no underground e que hoje trabalham mais com performances.

“A exposição é de arte urbana brasileira, mas entendemos que não podemos contar esta história sem falar dos Estados Unidos”, aponta Ribeiro. Este tema, que fecha a mostra, fica a cargo do grupo norte-americano Beautiful Losers (na foto, a obra Obey [All City Propaganda], do integrante Shepard Fairey), que dá nome ao quarto eixo da exposição. O título Transfer tem várias justificativas, referindo-se à migração da street art para o circuito de arte, às inter-relações estabelecidas entre culturas urbanas, como o grafite e o skate, e também à manobra que o skatista faz ao trocar de obstáculos.


     
 
 
     
 
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