| |
Depois dos belos desenhos de Carlos Pasquetti, a galeria Bolsa de Arte apresenta outra exposição de qualidade de um dos mais inquietos artistas plásticos gaúchos da atualidade. Pintura Despintura – a Retórica do Jeans, de Julio Ghiorzi, é o trabalho que está em cartaz até 8 de julho na Rua Quintino Bocaiúva, 1115, em Porto Alegre.
Ghiorzi, que desde os anos 90 desenvolve um trabalho experimental (entre outras coisas, o artista já deslocou ícones da arquitetura moderna para paisagens renascentistas, já pintou representações de cães, gatos, ratos e figuras humanas soturnas em um contexto que remete à arte holandesa seiscentista, vestidos de preto e com suas vistosas golas brancas rendadas), apresenta agora imagens produzidas a partir da descoloração de jeans com hipoclorito de sódio, a popular água sanitária.
As obras – híbridos entre gravuras e pinturas – ganham ainda mais curiosidade por se tratarem de releituras de grandes clássicos da história da arte, como a Santa Ceia, de Da Vinci (foto), e As Meninas, de Velázquez, ou imagens e retratos de figuras conhecidas do público, como Andy Warhol, Buda e o Frankestein imortalizado no cinema por Boris Karloff no filme homônimo de 1931. Há ainda uma natureza-morta com frutas, "que funciona como um inusitado índice de Carmem Miranda", comenta a jornalista e crítica de arte Paula Ramos, no texto de apresentação da mostra.
"O interesse do artista não é discorrer sobre os temas, mas sim propor um discurso da pintura que passa pela técnica. E suas imagens permitem isso, uma vez que são fruto de um procedimento mestiço cujo resultado é pictórico. Dos trabalhos de Julio Ghiorzi podemos esperar sempre um denso rigor técnico, um refinado exame de materiais e uma sedutora singularidade, qualidades que vêm abrindo caminho para distintas e inusitadas investigações", afirma Paula.
A exposição é resultado de uma investigação de três anos – desde que Ghiorzi aceitou a proposta de uma empresa fabricante de jeans, de usar o tecido para algumas criações. |
|